quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Artesanato e sustentabilidade podem fazer uma combinação incrível

Quando foi afastado do trabalho em uma loja de tintas devido a problemas na coluna, no ano de 2001, Bene Paulo pensou que não poderia ficar parado. Como sempre gostou de pintura e artes plásticas, cortou uma garrafa PET e começou a criar flores com o material.
Assim foi iniciado o trabalho do reconhecido artesão, que já fez moldes para mais de 208 tipos de plantas e flores, participou de mais de 35 de programas de TV, lançou revistas no Brasil e no exterior, recebeu prêmios da Câmara Brasileira de Cultura e até já ajudou a fazer o desfile de uma das mais tradicionais escolas de samba de São Paulo, a Vai-Vai, em 2007. “Ensinei toda a comunidade a fazer arranjos com garrafas PET e levar para a avenida, já que o enredo falava sobre isso.”, lembrou.

Com a impossibilidade de trabalhar, o morador de Santo André passou a desenvolver a técnica que chamou atenção pela beleza e pela questão ambiental. “No começo,  parecia apenas uma terapia, um artesanato bacana. Depois enxerguei que se tratava do reaproveitamento de um material que fica 300 anos ou mais destruindo o planeta. A minha terapia passou a ser uma de conscientização ambiental para os outros. Hoje em dia, eu faço pouco artesanato, estou mais falando sobre outras questões, como água, lixo,reciclagem, além de contextualizar sobre a origem das plantas que reproduzimos”, explicou Bene, que frequentemente é convidado para dar oficinas em Santo André e na capital paulista para grupos de todas as idades.
A técnica do artista consiste em higienizar uma garrafa PET de 2 litros, essas de refrigerante, retirar o bocal e o fundo e esticar o material que restou, que “é como se fosse uma folha sulfite”. Ele faz recortes e cria certas folhagens e pétalas. “Mas na técnica do reaproveitamento, nada é desperdiçado. É possível usar o bocal e o fundo para fazer enfeites natalinos”, afirmou. Na sequência, as flores são pintadas com tintas à base de água, que não agridem o meio ambiente.
Segundo Bene, a rosa e a hortência são os tipos de flores que têm mais aceitação, tanto na produção, quanto na procura. Uma planta mais elaborada pode chegar ao custo de R$ 150. Os modelos mais em conta são vendidos por R$ 20. “Já recebi várias cartas de pessoas que melhoraram a renda por conta de trabalhos iniciados após o contato com minhas revistas, oficinas e programas de televisão”, disse. As revistas, vendidas a preços populares e distribuídas no Brasil e no exterior, têm moldes, mas Bene alega que eles não são essenciais. “O melhor é que a pessoa olhe a planta do lado da casa dela e faça o próprio molde. Eu não quero que ela reproduza, quero que ela crie coisas novas”, destacou. 
Para definir seu trabalho, Bene diz que “a intenção é reaproveitar, transformar em algo teoricamente inútil em um objeto bonito de decoração. Fazer  o lixo virar luxo”.
Fonte: Ecycle

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