sexta-feira, 10 de abril de 2015

Repelentes caseiros: contra picadas, a favor da natureza

A natureza oferece uma série de alternativas para que você proteja a sua saúde e pratique o consumo sustentável. Basta conhecê-las


Eles têm em média 10 milímetros. Mas esse pequeno tamanho não faz jus à proporção do incômodo que eles podem provocar. Sim, estamos falando dos pernilongos, velhos conhecidos das nossas noites veranis. Quem nunca acordou de madrugada amaldiçoando esses pequenos mosquitos por causa de uma incômoda picada que atire o primeiro repelente. Ou o primeiro inseticida.

É preciso entender que as condições climáticas características do verão brasileiro de fato favorecem a reprodução dos pernilongos. O calor acelera o processo reprodutivo deles, fazendo com que as fêmeas coloquem mais ovos e com que os ovos eclodam mais rapidamente. Além disso, as temperaturas que normalmente são constatadas pelos termômetros ao longo dessa estação são as ideais para o funcionamento do organismo dos pernilongos: de 26ºC a 28ºC. Quando se verifica temperaturas abaixo dos 18ºC, eles hibernam; acima de 42ºC, eles morrem.

No entanto, é preciso reconhecer que não basta colocar toda a culpa nas condições climáticas e nos hábitos dos mosquitos. A própria população e as autoridades têm uma relevante parcela de culpa nesses episódios de infestação dos mosquitos. Por exemplo: rios poluídos facilitam a proliferação dos pernilongos. Isso porque nesses rios há uma elevadíssima concentração de matéria orgânica necessária para seu desenvolvimento. Não atentar para focos de água parada e de vegetação altatambém são atitudes que contribuem para o crescimento exponencial da população de pernilongos.
O problema da proteção incorreta

A falta de conscientização acerca dos episódios de infestação de pernilongo que acompanham as ondas de calor acaba provocando dois problemas: a adoção de “soluções” que na teoria são muito eficazes, mas que na prática acabam provocando danos à saúde e ao meio ambiente; e a não adoção de atitudes que poderiam prevenir episódios como esses.

A combinação desses problemas resulta, por exemplo, no uso constante e na produção negligente de inseticidas domésticos tóxicos, que podem causar alergias, atrasar o desenvolvimento neurológico infantil, intoxicar os animais domésticos, entre outros problemas. Além disso, o uso em larga escala desse tipo de produto pode induzir mutações que fazem com que o mosquito se torne cada vez mais resistente, dificultando o seu controle.

Uma alternativa para não agredir o meio ambiente e contribuir para o controle dessa infestação que cresce ao longo do verão é cultivar plantas que funcionam como repelentes naturais. Entre elas podemos citar a lavanda, a hortelã, o manjericão e a citronela.

Outra alternativa diz respeito às loções repelentes que, durante esses períodos, têm sempre um lugar reservado nas listas de compras, junto com os inseticidas. A grande maioria das pessoas pode achar que o uso de loções repelentes é algo que irá proteger a sua família. Mas é preciso tomar cuidado, principalmente no que concerne às crianças.

O problema das loções repelentes pode ser resumido em quatro letras: DEET, ou dietiltoluamida. Esse é o principal componente da maioria dos repelentes disponíveis no mercado. O DEET atua nos sensores presentes nas antenas dos pernilongos e mosquitos em geral, e faz com que eles não reconheçam o gás carbônico que é liberado pelos seres humanos na respiração. Por essa razão, eles se mantêm afastados. No entanto, o DEET pode desencadear processos alérgicos respiratórios na pele, nas mucosas e até danos hepáticos em humanos. Até o momento, não há um consenso entre os especialistas sobre reais efeitos que essa substância pode provocar à saúde humana. Além disso, um estudo realizado por cientistas da Grã-Bretanha comprovou que o mosquito da dengue já desenvolveu uma resistência biológica ao DEET, devido ao uso em larga escala dos repelentes que o contêm em suas composições.

Mas, certamente, é melhor prevenir do que remediar. A própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), consciente da falta de consenso entre os especialistas, aprovou novos requisitos para a comercialização desses produtos. Em primeiro lugar, será preciso deixar claro nos rótulos quais os danos que o DEET pode provocar no consumidor. Em segundo lugar, será necessário evidenciar quais são as instruções de uso, salientando que o produto só deve ser aplicado três vezes ao dia, principalmente no caso de crianças de 2 a 12 anos. Por fim, as empresas estão proibidas de usar imagens de apelo infantil. Essa medida tem como objetivo prevenir acidentes, uma vez que tais imagens despertam o interesse das crianças, que podem tentar aplicar o produto por conta própria e até mesmo ingeri-lo.
Icaridina

Quando o exército francês esteve em missão na Guiana Francesa, na década de 90, a malária causava mais baixas em soldados que qualquer inimigo. O exército francês então encomendou para a Bayer a pesquisa e desenvolvimento de um repelente com maior poder bélico: daí surgiu a Icaridina. Eficaz também contra o mosquito da dengue, o repelente cria um escudo de quatro centímetros de espessura na área aplicada, e é emanada da pele por 10 horas seguidas (o DEET age por 20 minutos com alta eficácia). No Brasil, já existem repelentes com a substância à venda. Outra questão é que os compostos por DEET necessitam de 30% a 50% de concentração para garantir seu funcionamento. Já a Icaridina deve vir em concentração máxima de 20% a 25%, números recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Infelizmente, a maioria das versões comercializadas atualmente possui perfume, o que causa o efeito contrário de atrair os insetos, e não repeli-los. De qualquer forma, o recomendado é passar em abundância em todas as partes expostas a cada quatro horas ou quando entrar em contato com água. Evitando sempre, claro, atingir mucosas, olhos, boca e narinas. De qualquer maneira, os repelentes sem química nociva compostos de citronela possuem um efeito curto. Usar alho e vitamina B para repelir insetos é um grande mito, não sendo comprovado cientificamente.

Em todo caso e na ausência de um consenso, talvez uma alternativa para evitar o DEET e outros inseticidas seja tirar o bom e velho faça-você-mesmo do armário e adotar medidas práticas para se proteger do pernilongos. O Portal eCycle selecionou algumas dicas que podem te ajudar.
Mas porque praticar o faça-você-mesmo?

Produzir você mesmo aquilo que será consumido é uma atitude sustentável que, além de ser econômica e preservar a sua saúde contra substâncias duvidosas, preserva também o meio ambiente.

As loções repelentes e inseticidas podem vir embaladas em frascos plásticos ou em aerossóis. Quando elas acabam, as embalagens ficam. E ficam no meio ambiente.

Como se sabe, os plásticos geram um grande volume de lixo e sua degradação pode demorar mais de 100 anos. Já os aerossóis podem facilitar a aplicação dos repelentes, mas provocam um grave impacto ambiental. Isso se deve não só pelas pequenas quantidades de gás carbônico que eles emitem (devido à transformação do conteúdo gasoso em líquido), mas também pela dificuldade de reciclá-lo, pois esses materiais não podem ser tratados nem como lixo comum, nem como metal comum.
Repelente à base de cravo-da-índia

O cravo-da-índia contêm uma substância chamada eugenol, uma substância que possui propriedades inseticidas contra mosquitos e formigas. Confira essa receitafácil de fazer:

Ingredientes

• 500 ml de álcool de cereais;
• 10 g de cravo-da-índia;
• 100 ml de óleo de amêndoas dermatológico.

Modo de preparo

Junte o álcool e o cravo-da-índia em um pote opaco, escuro, com tampa. Deixe-o fechado e sem contato com a luz por quatro dias. Depois desse período, mexa bem a mistura duas vezes por dia, uma vez de manhã e outra à noite. Por fim, coe e acrescente o óleo corporal, agitando ligeiramente. Coloque o repelente num recipiente spray, que pode ser comprado em farmácias homeopáticas e lojas de artesanato, e aplique na pele. Esse repelente atua por até quatro horas. Ao aplicar, evite o contato com os olhos e com machucados na pele e aplique somente três vezes ao dia. E lembre-se: de acordo com a Anvisa, não é recomendado que crianças com menos de dois anos façam uso de repelentes.
Repelente à base de citronela

A citronela é uma potente aliada na proteção contra os pernilongos e outros insetos. O óleo essencial que é extraído dela e que é a base dessa receita possui 80 componentes repelentes, entre eles o citronelal, geraniol e o limoneno. Se você tiver um difusor de água, deixe-o em ambientes de até 16 m² e pingue três gotas de óleo essencial de citronela na água a cada cinco horas. Isso também ajudará a manter os pernilongos afastados. Uma outra opção é fazer velas caseiras de citronela e deixá-las acesas nos cômodos: além de ser uma alternativa ecologicamente correta, a sua casa estará protegida e com um aroma agradável, semelhante ao aroma do eucalipto.

Ingredientes

• 150 ml de óleo essencial de citronela;
• 300 ml de óleo de amêndoas dermatológico.

Modo de preparo

Reúna todos os ingredientes e misture bem. Por fim, lembre-se de armazenar a mistura em um recipiente escuro e evitar o contato dela com o sol. Você também pode usar outras quantidades, desde que sempre seja mantida a proporção de duas partes de óleo de amêndoas para uma parte de óleo de citronela. As recomendações de aplicação desse repelente são as mesmas do anterior.
Fonte: Ecycle

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